Mensagem do Presidente PT


Mensagem do Presidente do Conselho de Administração



Senhores Acionistas,

No ano de 2017 e início de 2018, verificaram-se significativas mudanças geopolíticas, designadamente no relacionamento entre as grandes potências, com os EUA a assumirem com Trump políticas externas isolacionistas, a Rússia com Putin a reforçar a sua presença militar, sobretudo na Síria, e a China com JiPing, a tonar-se líder vitalício, e a sedimentar a influência económica chinesa no Mundo.

Na Europa, adensaram-se os sinais de que a negociação sobre o Brexit, entre o Reino Unido e a União Europeia, poderá trazer efeitos sociais e económicos mais negativos do que o inicialmente esperado e a liderança política da União Europeia registou também dificuldades de afirmação, com a formação do novo governo de coligação na Alemanha a arrastar-se por largos meses.

A afirmação de Portugal no Mundo registou melhorias significativas, a começar pela eleição de António Guterres para o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas. A saída de Portugal do procedimento de défices excessivos, a eleição de Mário Centeno para Presidente do Euro Grupo, e a elevação do rating da República para investment grade foram acontecimentos marcantes, com reflexos relevantes na melhoria do enquadramento económico e financeiro da atividade empresarial e bancária.

No plano interno, porém, o País sofreu os efeitos devastadores da pior onda de incêndios florestais de que há memória, com a tragédia da morte de 116 pessoas e a área ardida a atingir mais de 500 mil hectares. O ano de 2017 foi também o ano mais seco desde 1931, colocando 97% do território em situação de seca severa e extrema.

As perspetivas de crescimento da economia mundial para 2018 mantêm-se bastante positivas e, em relação aos EUA, encontram-se acima dos indicadores de 2017, ao passo que, em relação à UE, apontam para uma ligeira desaceleração do crescimento económico registado em 2017.

Em relação aos mercados emergentes, em particular China e Índia, as previsões apontam para que se continuem a registar em 2018 taxas anuais francamente elevadas, acima de 6,5% (na China) e de 7% (na Índia).

As expetativas de curto prazo mais favoráveis nos EUA devem-se, em grande parte, ao forte estímulo fiscal às empresas que Trump conseguiu concretizar nos EUA no início de 2018. Todavia, o ressurgimento do protecionismo americano, poderá reverter estas expetativas, não apenas para os EUA, mas também para, designadamente, a UE, por via da desaceleração do comércio externo e dos fluxos de IDE.

Nos mercados financeiros obrigacionistas é esperado que as curvas de rendimentos evoluam em alta, quer nos EUA quer na UE, em linha com a convicção de que o Fed e o BCE irão progressivamente enveredar por um caráter não expansionista das suas políticas monetárias ao longo de 2018.

Em relação aos mercados financeiros acionistas, sendo expetável o ressurgimento da volatilidade verificada nos dois primeiros meses de 2018, é admissível que uma gestão criteriosa e prudente das carteiras deste tipo de ativos possa vir a permitir taxas de rentabilidade não muito diferentes das taxas médias de longo prazo.

Em relação à evolução da economia portuguesa em 2018, é indispensável que prossiga a consolidação das finanças públicas e que, no plano externo, as exportações de bens e serviços continuem a crescer de forma vigorosa e sustentada.

Ao nível do setor bancário, o ano de 2017 ficou marcado por movimentos de consolidação que se verificaram, designadamente, no Novo Banco, no BPI e na CGD, com reflexos positivos na imagem do setor no contexto europeu.


Em relação à atividade do BPG em 2017, o desempenho foi globalmente positivo, fruto da continuação do reforço das operações no setor da economia social, prioridade assumida desde a génese do Banco, e da mudança estratégica que foi adotada em relação a outras áreas.

No quadro desta mudança, optou-se por um forte e rápido crescimento na captação de Depósitos de Clientes, designadamente através da adesão do Banco a uma plataforma alemã (Raisin), com o que a liquidez do Banco subiu pronunciadamente, a partir do início do segundo semestre, tendo havido uma correção parcial até ao final do ano.

Definiu-se uma nova política para o crédito novo, com enfoque na diversificação setorial e com um limite de exposição prudente por cliente, consentâneo com adequados critérios de risco. A transformação da liquidez adicional obtida em depósitos passou a ser sobretudo realizada através da gestão da carteira de ativos, pela área de mercados financeiros.

Esta mudança estratégica permitiu uma forte melhoria dos indicadores de rentabilidade do Banco e, em 2017, invertendo a tendência de anos anteriores, o Resultado Líquido do Exercício do Banco foi positivo, para o que contribuiu, nomeadamente, o forte incremento verificado no resultado operacional da área de Mercados Financeiros.

Também contribuiu significativamente para esta melhoria, uma expressiva reversão de imparidades de crédito.

Em relação à atividade do Banco para 2018, a estratégia traçada aponta para um reequilíbrio dos contributos relativos das áreas de concessão de crédito e de mercados financeiros e para a continuação do crescimento do produto bancário e dos resultados de exercício.

Serão também desenvolvidas áreas de negócio até agora pouco expressivas, como o corporate banking e a gestão de ativos de novos clientes, esperando-se incrementar significativamente os proveitos de comissões.

Assim, em 2018 espera-se que o Banco prossiga a consolidação dos resultados obtidos em 2017, de forma a reforçar a sustentabilidade do seu modelo de negócio e a conseguir elevar os seus fundos próprios.

Faremos de 2018 um ano de continuação da mudança estrutural iniciada em 2016 e, para isso, conto com a dedicação e espírito inovador de todos os nossos colaboradores, a quem endereço uma palavra renovada de apreço e de confiança. Criaremos mais e melhor valor, para satisfação de todos os nossos “stakeholders”, aí se incluindo, naturalmente na primeira linha, os senhores Acionistas.

O Presidente do Conselho de Administração

Carlos Pulido Valente Monjardino