Mensagem do Presidente PT


Mensagem do Presidente do Conselho de Administração



No ano de 2016, o mundo assistiu a diversos sinais de mudança, alguns deles surpreendentes e a antecipar alterações futuras importantes.

No plano político e social, verificou‐se o fortalecimento de fenómenos populistas e nacionalistas que afetaram e condicionaram diretamente o rumo político de diversos países, mesmo de democracias consolidadas.

O facto mais marcante terá sido o resultado do referendo realizado no Reino Unido que ditou a sua saída da União Europeia (“Brexit”), cujas consequências e efeitos de contágio, geopolíticos e macroeconómicos, ainda estão insuficientemente avaliados e introduziram fortes riscos e incertezas, designadamente sobre o aprofundamento da União Europeia.

Também em vários outros países se realizaram referendos e eleições, verificando‐se alguns resultados inesperados que vieram pôr em causa alianças e políticas bilaterais e macro regionais com várias décadas de existência.

Criou‐se, assim, também um sentimento generalizado de incerteza e de retrocesso sobre o processo de globalização mundial em curso, que se intensificou com a eleição do novo Presidente dos EUA, Donald Trump, e a execução das suas primeiras medidas já no corrente ano.

Em termos económicos, o crescimento global de 2016 terá sido em linha ou ligeiramente acima do verificado no ano anterior, refletindo, no entanto, uma diferente combinação de fatores. Por um lado, em 2016 houve um menor crescimento da China e de algumas economias desenvolvidas, entre elas os Estados Unidos e a Zona Euro. Por outro, várias economias emergentes ou em desenvolvimento lograram acelerar ou manter o seu ritmo de crescimento.

Ao nível financeiro, destaca‐se a subida generalizada dos mercados acionistas na segunda metade do ano, depois de um primeiro semestre de perdas. De realçar também, dada a sua relevância global, a alteração da política monetária da Reserva Federal Americana, traduzida numa subida de taxas de juro no quarto trimestre do ano e na indicação clara de que novas subidas ocorrerão no ano corrente.

Entretanto, o BCE deverá manter com algumas alterações a sua política de “Quantitative Easing” sendo expetável que se alargue o spread, entre as taxas de juro de referência da Reserva Federal e do BCE.

Assim, a apreciação do dólar americano que se tem vindo a verificar – suportada pela referida subida de taxas de juro nos Estados Unidos – bem como a recuperação do preço do petróleo e a apreciação das matérias‐primas em geral, parecem apontar para uma “normalização” progressiva do enquadramento económico e financeiro, depois de vários anos de taxas de juro muito baixas e de crescimento anémico.

Portugal teve em 2016 o seu primeiro ano completo do novo ciclo político. O país registou um crescimento económico moderado, em grande parte assente no crescimento do consumo. As contas públicas melhoraram em termos de défice orçamental e estabilizaram no que diz respeito à dívida pública.

Neste ambiente de recuperação moderada, mas com taxas de juro ainda bastante baixas, que impactam negativamente na sua margem financeira, o sector bancário português apresentou uma trajetória generalizada de recuperação, particularmente mais evidente no segundo semestre. Ainda assim, três dos cinco maiores bancos a operar no mercado nacional não deixaram de apresentar perdas muito expressivas, em grande parte ditadas pelo reforço de imparidades, confirmando que o esforço de ultrapassagem dos efeitos da crise económico‐financeira ainda tem um caminho importante a percorrer.


Em 2016, o Banco Português de Gestão registou um prejuízo assinalável, que reflete, em grande medida, o forte reforço de imparidades, nomeadamente na carteira de crédito. Os resultados do exercício foram ainda afetados pela pressão sobre a margem financeira, a qual refletiu também a intensificação da concorrência nos mercados bancários.

Durante o ano, foram realizadas duas operações de reforço de Fundos Próprios, que contribuíram para a absorção do impacto dos resultados negativos.

A primeira operação, concretizada em junho, assentou num aumento de capital por entradas de dinheiro, integralmente subscrito, de € 8 milhões, enquanto a segunda operação correspondeu à realização conjugada, por um lado, de um aumento de capital por entradas de dinheiro, integralmente subscrito, no valor de € 4 milhões, e, por outro, do reembolso de obrigações subordinadas por um montante equivalente. Dada a sua natureza de “troca” de instrumentos de capital, esta última operação melhorou a qualidade dos Fundos Próprios (Tier 1), mas não o seu montante total.

Com o volume de crédito concedido a manter‐se relativamente estável em 2016, o aumento de imparidades na carteira de crédito verificado no ano diminuiu o respetivo risco médio, todavia ainda elevado.

Durante o ano de 2016 foram também dados vários passos importantes no sentido do reforço da eficácia do sistema de controlo interno do Banco, através do desenvolvimento e densificação de normativos internos, da implementação de novas medidas e práticas de acompanhamento e monitorização de riscos e do reforço dos meios humanos e técnicos afetos às funções de controlo.

Esta evolução, ao melhorar o ambiente de controlo em que o Banco opera e ao dotar os diversos departamentos de ferramentas adicionais, permite que os órgãos de gestão se concentrem com maior enfoque no desenvolvimento do negócio do Banco e no incremento da produtividade operacional e da rentabilidade do capital do Banco.

O forte impulso que se está a imprimir, no corrente ano, à captação de crédito junto de novos clientes, designadamente PME de bom risco, bem como nas áreas de negócio de private banking e de mercados financeiros, a par dos referidos reforços de Fundos Próprios já levados a cabo, permitem fixar como objetivo de gestão a obtenção de resultados positivos do Banco em 2017 e nos anos seguintes.

É precisamente o desenvolvimento do negócio com objetivos de rentabilidade sustentada que se pretende relançar em 2017, sob a égide de uma nova equipa executiva na gestão do Banco.

Assim, o Banco prosseguirá a sua atividade creditícia de uma forma extremamente rigorosa e criteriosa, incrementará o volume e retorno da sua carteira própria e melhorará a qualidade dos serviços prestados aos seus Clientes, com uma aposta inovadora na digitalização dos seus sistemas de informação.

Faremos de 2017 um ano de mudança estrutural e sustentada, com a dedicação e espírito inovador de todos os nossos colaboradores, a quem endereço uma palavra de apreço e de confiança, convicto de que juntos criaremos mais e melhor valor para satisfação de todos os nossos “stakeholders”, aí se incluindo, naturalmente na primeira linha, os senhores Acionistas.
O Presidente do Conselho de Administração

Carlos Pulido Valente Monjardino